O presidente Lula confessou outro dia ter medo de viajar de avião, dizendo que “entrega a sorte a Deus”, mas sua agenda de viagens pelo Brasil e exterior não reflete esse temor. Desde o acidente com o Boeing da Gol – em 29 de setembro do ano passado, quando morreram 154 pessoas -, Lula já fez, pelo menos, 130 pousos e decolagens.
Foram 48 viagens pelo país e outras 17 ao exterior no Airbus ACJ-319. Detalhe: a manutenção é feita pela Tam.
Outro detalhe: o avião presidencial tem prioridade em todo o território brasileiro para decolar e pousar.
Com o presidente a bordo, o “Aerolula” só decola com todos os equipamentos funcionando perfeitamente. Ou seja, o presidente não viajaria com o reversor pinado (bloqueado), situação do Airbus que explodiu no Aeroporto de Congonhas.
Esses e outros detalhes vêm contados em matéria do jornal O Globo, assinada pela jornalista Luiza Damé. É interessante ler:
* Depois da reabertura da pista principal de Congonhas, no dia 29 de junho, o avião presidencial já fez quatro pousos e decolagens naquele aeroporto. No último dia 1º, às 21h45m, o Aerolula pousou em Congonhas, originário de Brasília, e decolou no dia seguinte, às 11h45m, para o Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro.
* Outro pouso foi no dia 7 de julho, às 8h15m, chegando da Bélgica. Depois de um descanso em São Bernardo do Campo, o presidente voltou para Brasília às 19h do dia 8 de julho, partindo de Congonhas. Esses pousos e decolagens ocorreram na pista principal, que tem 1.940 metros.
* O modelo do avião presidencial – batizando oficialmente de Santos Dumont – tem capacidade de pousar em pistas mais curtas, de até 1.500 metros. Além disso, a preocupação com a segurança e o conforto do presidente da República está em primeiro lugar. Os pilotos que comandam o “Aerolula” são os mais experientes da Força Aérea Brasileira, com um mínimo de horas/vôo superior ao exigido dos aeronautas comerciais.
* Os pilotos presidenciais não estão sujeitos a estresse e passam ao largo dos apagões.
* No ano passado, 15 dias antes do acidente da Gol, o avião em que Lula viajava para fazer campanha no Rio de Janeiro teve de voltar para Brasília depois de dez a 15 minutos de vôo. Era o Boeing 737, mais conhecido como “sucatinha”, que sofreu uma pane no horizonte artificial – instrumento de navegação que mostra a altitude do avião (se ele está subindo ou descendo, se está inclinando para a direita ou para a esquerda). Naquele dia, Lula não correu riscos, pois o avião tem três desses equipamentos e pode voar com um deles avariado.
* Porém, por se tratar do presidente da República, as normas de segurança rígidas determinam que o piloto pouse no aeroporto mais próximo numa situações dessas.
* Durante a campanha da reeleição, em 2006, Lula optou por usar o “sucatinha”, em vez do Airbus, comprado em janeiro de 2005, ao curso de US$ 56 milhões.
* O “Aerolula” é mais econômico e mais seguro do que o avião presidencial usado anteriormente – um Boeing 707, chamado “Sucatão”. Com mais de 40 anos, o “Sucatão” era proibido de pousar em alguns aeroportos da Europa por causa do alto nível de ruído.
* Apesar de todas as garantias técnicas do “Aerolula”, o presidente reconheceu, no discurso da posse do ministro Nelson Jobim (Defesa), não se sentir tranqüilo no ar. “Eu, particularmente, toda vez que o avião fecha a porta, entrego minha sorte a Deus, porque estou na mão de um comandante, que é um ser humano; estou na mão de uma máquina ultramoderna, mas que é uma máquina; estou na mão de um controlador, que diz quando devo parar ou não; e estou na mão das intempéries, que nem sempre o ser humano consegue controlar” – disse o presidente.
* Mesmo com medo de voar e com o caos instalado nos aeroportos do país, Lula não reduziu o número de viagens no país e no exterior. Além de viagens semanais pelos Estados brasileiros para o lançamento de projetos regionais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o presidente Lula mantém um agenda de viagens internacionais movimentada. A partir de 4 de agosto, por exemplo, ele fará um périplo por países da América Latina, começando pelo México. São cinco dias de viagem e cinco países visitados. Para quem diz ter medo de avião, será uma grande provação: ele acordará num país e dormirá em outro, o que significa pelo menos um pouso e uma decolagem por dia.
* Lula começa a agenda na segunda-feira (06) no México. Na terça de manhã, ele parte para Tegucigalpa (Honduras). Na noite do mesmo dia, vai para a Nicarágua. Na quarta-feira, o presidente segue para Kingstom, na Jamaica. Na quinta-feira, mais uma decolagem para a Cidade do Panamá. Na sexta-feira, dia 10, ele volta ao Brasil. E na semana seguinte irá a Porto Alegre.
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