Morte de Jean Charles continua impune

Onze policiais envolvidos na morte do brasileiro Jean Charles de Menezes, em 22 de julho de 2005 (dia em que eu chegava lá), em Londres, não serão punidos, anunciou nesta sexta-feira, 11, a Comissão Independente de Queixas à Polícia (IPCC, sigla em inglês). 

Ao anunciar sua decisão, a IPCC afirmou que um dos onze agentes investigados, a cargo das tarefas de vigilância, receberá “assessoria” em relação a medidas que tomou após o incidente, que não foram especificadas.

Um porta-voz da família de Jean Charles disse que esta está “seriamente decepcionada” com o veredicto da Comissão, que ainda não se pronunciou sobre o comissário-chefe da Scotland Yard, Ian Blair, a quem os parentes da vítima acusaram de ter enganado a opinião pública sobre o que aconteceu.

A Polícia Metropolitana de Londres (Scotland Yard) recebeu bem a recomendação da IPCC, e reiterou suas desculpas pelo erro cometido.Jean Charles, de 27 anos e eletricista, foi morto a tiros há dois anos por agentes da brigada antiterrorista da Scotland Yard, na estação de metrô de Stockwell (ao lado de onde eu estava morando (estação de Oval),  (sul de Londres).

Os policiais teriam confundido o jovem com um dos autores dos atentados fracassados do dia anterior contra três estações de metrô e um ônibus urbano da capital. Poucas horas depois da morte do brasileiro, Ian Blair disse que o jovem tinha sido alvo dos disparos porque tinha agido de forma suspeita.No entanto, uma investigação posterior da Comissão mostrou que o brasileiro tinha entrado no metrô como um usuário qualquer, e também não estava com roupas que levasse a crer que estava escondendo uma bomba, como alegou a Polícia.

Após receber um primeiro relatório da IPCC, a Procuradoria decidiu no ano passado inocentar outros agentes envolvidos no caso, mas acusou o corpo policial em seu conjunto de violar a lei de Saúde e Segurança no Trabalho, de 1974, por não cumprir seu dever de proteger a vítima.

Em dezembro passado, a Justiça britânica rejeitou o pedido da família de Jean Charles de rever a decisão do procurador de não processar nenhum agente.No entanto, o Tribunal Superior de Londres abriu em 19 de janeiro o caminho para que os parentes do brasileiro possam recorrer aos juízes da Câmara dos Lordes, máxima instância judicial do Reino Unido. 

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